Diagnóstico de 12 casos de doenças oculares congênitas no programa
Mais Visão demonstra que exame preventivo não é rotineiro. Problemas de
visão respondem por 22% da evasão escolar no Brasil.
Rápido, simples e de baixo custo o "Teste do Olhinho", também conhecido como
exame do Reflexo Vermelho, ainda não é rotineiro nas maternidades Isso
significa que por falta de prevenção muitas crianças são acometidas por
deficiência visual grave e cegueira. Esta é uma das principais constatações
das consultas oftalmológicas realizadas em 16 de setembro com as crianças do
ensino fundamental que participam da terceira edição do programa Mais Visão.
Este ano a iniciativa da Fundação Penido Burnier em parceria com a
Prefeitura Municipal de Campinas beneficia 27 mil crianças. O objetivo é
reduzir a evasão escolar cuja maior causa é a deficiência visual.
De acordo com o diretor médico do projeto, Leôncio Queiroz Neto, foram
realizados 493 atendimentos com crianças das 1as e 2as séries do ensino
fundamental municipal, além de 25 consultas inseridas na ação social. Apesar
do exame ser gratuito, da Transurc oferecer o transporte e dos óculos
estarem sendo doados pela Transitions, Tecnol e Instituto Varilux da Visão,
cerca de 18% dos alunos que foram identificados com problema na visão não
compareceram ao hospital.
Quase metade dos estudantes, 245, necessitam usar óculos. Segundo Queiroz
Neto a maioria nunca teve acesso à correção visual, embora em média os
vícios de refração diagnosticados tenham ficado acima de 5 graus com alguns
casos de até 11 graus. A maior incidência foi de hipermetropia (dificuldade
de enxergar de perto) que responde por 39% dos vícios de refração, seguida
de miopia (dificuldade de enxergar de longe) que atingiu 36% das crianças e
25% de astigmatismo (dificuldade de foco por irregularidade da córnea).
Ao todo foram diagnosticados 12 casos de doenças congênitas, sendo 4
cataratas, 2 retinopatias da prematuridade, 3 casos de toxoplasmose e 3
degenerações retinianas com atrofia do nervo óptico. O Teste do Olhinho
detecta tumores oculares, catarata e a leucocoria, menina do olho branca.
Queiroz Neto explica que o exame é feito nas primeiras horas de vida com a
emissão de uma luz vermelha na pupila do recém-nascido, por meio de um
oftalmoscópio. Nos olhos saudáveis esta luz é contínua. Em portadores de
catarata, leucocoria ou tumor ocorre ausência de reflexo ou assimetria. Além
disso, ressalta, o exame chama a atenção para outros fatores como o
estrabismo congênito, sendo fundamental para reduzir a deficiência visual.
Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) demonstram que as alterações
congênitas atingem 3% dos bebes no mundo. Segundo o especialista a catarata
é uma das mais comuns anomalias infantis que responde entre 10 e 39% da
cegueira infantil. A doença, observa, pode atingir apenas um dos olhos e
causar grave ambliopia (olho preguiçoso). Neste caso, comenta, o Teste do
Olhinho pode ser feito simultaneamente nas duas pupilas para que a
comparação dos reflexos ofereça informação sobre diferença de grau e
estrabismo.
.Estatísticas do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) demonstram que no
Brasil surgem ao ano 30 mil casos de retinopatia da prematuridade. Em bebês
prematuros, comenta o médico, além do Teste do Olhinho é necessária uma
avaliação mais complexa feita por um oftalmologista. Já a toxoplasmose,
afirma, é a maior causa da uveite, inflamação da uvéa, estrutura formada
pela íris (parte colorida do olho), corpo ciliar (músculos que se contraem e
dilatam para que o cristalino possa focar) e coróide (revestimento interno
do olho). Os sintomas são olhos vermelhos, dor, aversão à luz e visão
borrada, mas com tratamento precoce não deixa seqüelas.
Hoje o único teste disponibilizado pelo Ministério da Saúde é o exame de
fundo de olho. A expectativa de Queiroz Neto é de que o Teste do Olhinho se
torne obrigatório não só para bebês prematuros como já acontece em São Paulo
e Rio de Janeiro, mas para todo recém-nascido por ser uma forma eficaz de
reduzir a deficiência visual e perda da visão.
