Caneta para cegos

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Engenharia da USP desenvolve "caneta inteligente" para cegos Como faz um cego para saber se o copo está cheio? A resposta é simples, mas pode surpreender: molhando o dedo. Sem outra alternativa em um mundo não-adaptado, os deficientes visuais acabam obrigados a esse tipo de solução, incômoda e anti-higiênica. Para melhorar este cenário, porém, não são necessários investimentos pesados.

É o que provaram estudantes da Escola Politécnica da USP, no seminário "Engenharia e Responsabilidade Social", realizado recentemente. Lá, foi apresentado um protótipo de baixo custo para o desenvolvimento de uma "caneta inteligente", que avisa quando o copo está cheio, sem a necessidade de sujar o dedo ou o risco de derramar o líquido. O trabalho, desenvolvido por Lucas Massarope e Pedro Rebucci, alunos de Engenharia Eléctrica, baseia-se numa idéia simples.

Um sensor elétrico é posicionado dentro do vasilhame, numa altura suficientemente alta. Quando o líquido toca este sensor, fecha-se uma corrente elétrica que activa um pequeno vibrador, no corpo do medidor em forma de caneta. Quando se sente a vibração, sabe-se que o líquido já atingiu a altura desejada. O projecto foi orientado por um ex-aluno da Poli, Julio César Ribeiro Jr, em parceria com a Fundação Dorina Nowill, de apoio ao deficiente visual. A idéia partiu de uma lista, feita pela instituição, de acordo com a necessidade dos cegos. Segundo Julio, na vida do deficiente "há um déficit tecnológico que é simples de resolver". Marieta Boimel, deficiente visual, testou o protótipo a pedido dos desenvolvedores.

A sua reação foi muito positiva. "Gostei muito. Facilita bastante a nossa vida". Ela conta que tem um equipamento semelhante, mas bastante limitado, que adquiriu numa viagem a Israel. Ela também aproveitou para sugerir aperfeiçoamentos para o futuro desenvolvimento do protótipo. Para ela, seria ainda mais interessante se a caneta tivesse níveis de graduação; a vibração variaria de acordo com o nível de líquido no copo.

 Outra sugestão é que o medidor fosse adaptável a diversos recipientes como garrafas. Com este tipo de iniciativa, pode-se facilitar e ampliar muito, sem grandes investimentos, a vida do deficiente visual.

Source: Agência Universitária de Notícias - Portaloptico.com
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