Óculos aposentados

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Com o avanço tecnológico, as novas lentes intra-oculares dispensam o uso de óculos após a realização da cirurgia de catarata
Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Oculares, 350 mil pessoas por ano, principalmente idosos – apresentam problemas de visão, em decorrência da catarata. A doença é a principal causa de cegueira reversível no Brasil.
A falta de informação e de acesso ao tratamento é o principal desafio a ser enfrentado no combate à perda de visão decorrente da catarata. “Com o diagnóstico precoce da doença é possível preservar a visão do paciente e assegurar a qualidade de vida. Um idoso que enxerga bem tem mais autonomia, pode viajar sozinho, dirigir, trabalhar - se assim o desejar -  enfim, tem mais liberdade de ação e independência da família”, defende o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor-clínico do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.
Dados divulgados no início de abril pelo IBGE revelam que para cada 100 jovens, há 25 idosos no Brasil. O número de brasileiros maiores de 60 anos é de cerca de 17,6 milhões, o que significa dizer que 9,7% da população brasileira é composta por pessoas da terceira idade. São realizadas aproximadamente 400 mil cirurgias catarata por ano no Brasil, somando o Sistema Único de Saúde (SUS) e o sistema privado. Seria necessária uma média de pelo menos 600/ 800  mil cirurgias para erradicar, pelo menos, os casos novos que aparecem anualmente.
Durante muito tempo, a catarata foi a vilã de terceira idade. A cirurgia era considerada arriscada e era evitada até quando fosse possível. A internação, por uma semana ou mais, era necessária e o desconforto, após a cirurgia, era freqüente. “Hoje, com o grande aporte tecnológico incorporado aos procedimentos médicos, a cirurgia é realizada em regime de alta imediata, geralmente, logo após o procedimento cirúrgico, o paciente recebe alta e convalesce em casa”, afirma Centurion.
Lentes intra-oculares
Outro ganho para o paciente, advindo também do avanço tecnológico, foi o emprego das lentes intra-oculares. Boa parte dos pacientes idosos que se submetiam à cirurgia de catarata ainda precisava de óculos para ajustar a visão para perto ou longe. “Nos últimos anos, registramos muitos progressos na realização da cirurgia de catarata. Além de ser um procedimento seguro, as lentes intra-oculares implantadas durante a cirurgia têm a função de ajustar a visão conforme a necessidade do paciente. A nova geração de lentes pode dispensar o uso de óculos para perto ou para longe, em mais de 90% dos casos”, revela o oftalmologista Juan Caballero, que também integra o corpo clínico do IMO.
As novas lentes permitem também a correção de outros problemas oculares, além da catarata, como a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e, mais recentemente, a presbiopia. “Não se pode generalizar, mas cada situação cirúrgica deve ser analisada em particular, sendo então indicada a melhor lente para cada caso”, destaca Juan Caballero. Pacientes com graus muito altos de deficiências variadas também têm se beneficiado da novidade. "Quem tem miopia, hipermetropia ou, ainda, quem apresenta uma córnea muita fina e após o aparecimento da presbiopia ou vista cansada para perto, se sente mais confiante após o implante da lente", diz o médico. O cálculo do grau da lente é obtido por meio do exame de biometria que também tem apresentado evolução marcante nesta nova era de cirurgia intra-ocular.

Source: Márcia Wirth
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