SETEC e Associação Banco de Olhos de Campinas iniciam ações para conscientizar a população e reduzir a fila de espera por córneas A SETEC Campinas (Serviços Técnicos Gerais) está treinando todos os agentes funerários para que desenvolvam um trabalho de conscientização da população sobre a importância da doação de córneas, já que a decisão final cabe aos familiares. A ação visa reduzir a fila de espera por córnea da população de 170 cidades e cerca de 7 milhões de habitantes que são atendidos pela Associação Banco de Olhos de Campinas (ABOC) em casos de transplante de córnea. Serão três palestras apresentadas pela diretoria da ABOC. A presidente da instituição, Maria Letícia de Barros e Gonçalves, fala sobre aspectos administrativos do Banco de Olhos. Doação de córnea e aspectos psicológicos é o tema abordado pelo diretor-médico, Leôncio Queiroz Neto, enquanto o vice-presidente, João Alberto Holanda de Freitas esclarece sobre a lista única e Sistema Nacional de Transplantes. O esforço da SETEC para reduzir a fila de espera por córneas na região vai contar também com o apoio da agência de propaganda Sociedade Ilimitada que há anos vem acompanhando as atividades do Banco de Olhos de Campinas. Sob a direção de criação do publicitário, João Bosco, a agência criou uma campanha que começa a ser veiculada na próxima semana e leva o mote – Quero te Ver – em camisetas promocionais, banner, adesivo para ser fixado em 19 relógios da cidade, back light, anúncio de jornal, rádio e TV. A veiculação, comenta João Bosco, tem apoio dos principais veículos da cidade. De acordo com Queiroz Neto a falta de informação e interpretações fantasiosas sobre como será devolvido o corpo, ainda são os maiores fatores limitantes para a doação de córnea no país. Só para se ter uma idéia, enquanto na América Latina a taxa de potencial doador varia de 40 a 100 por 1 milhão de habitantes, no Brasil esta taxa é só de 5,05. O médico lembra que a visão é responsável por 85% de nossa integração com o meio ambiente e que um único doador pode devolver a qualidade de vida para duas pessoas. Ele ressalta que ao contrário do que muitos imaginam a doação não desfigura, a córnea é a única parte que pode ser retirada em qualquer local, até seis horas após a morte, podendo permanecer por 10 dias em conservação para depois ser transplantada. No caso das captações feitas pela ABOC, comenta o médico, a conservação das córneas fica sob a responsabilidade do Hospital das Clínicas da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) e o índice de rejeição é bastante baixo. Em 2005 o transplante de córnea cresceu 33% no Brasil, mas este ano, a fila de espera no país já soma 24.549 pessoas, em São Paulo 4.335 e em Campinas 579. A meta da SETEC e da ABOC é alcançar 50 captações/mês totalizando 600 córneas em um ano que podem beneficiar até 1,2 mil pessoas das cidades da região atendida pelo ABOC.
