O estudo vem reforçar a idéia de que, mesmo em adultos, atividade mental estimula a agilidade do cérebro
BOSTON, EUA - Cientistas sabem há tempos que o cérebro precisa de atividade nos neurônios para amadurecer, e que a estimulação dos sentidos é mais importante durante um intervalo de tempo conhecido como o "período crítico", quando o cérebro está no ponto para um aprendizado intenso. Visão, audição e tato se desenvolvem durante esses períodos críticos, enquanto outros sentidos, como o olfato, mantêm a plasticidade por toda a vida.
Um novo estudo, focado nas raízes moleculares da plasticidade da visão, descobriu que o estímulo visual ativa a expressão de alguns genes e reprime a de outros. O trabalho também mostra que, em diferentes fases da vida dos roedores, conjuntos distintos de genes entram em ação para responder à atividade visual e moldam o cérebro. A pesquisa está publicada na edição de maio de Nature Neuroscience.
"O que descobrimos abre a ciência para uma visão mais global dos genes, do estudo de um gene de cada vez para famílias de genes atuando em conjunto", disse a principal autora do trabalho, Marta Majdan, segundo nota divulgada pela Escola de Medicina de Harvard. O estudo sugere que terapias genéticas para doenças degenerativas do sistema nervoso deverão requerer um conhecimento Amis aprofundado dos caminhos moleculares e interações entre genes para funcionar.
Majdan e a co-autora Carla Shatz estudaram roedores durante o período crítico no qual a informação visual estimula uma plasticidade agressiva, moldando a malha de conexões neurológicas no córtex e ajustando a intensidade das mensagens transmitidas pelas sinapses.
Os resultados da experiência, realizada submetendo roedores no período crítico a distorções de visão, "sugere que a experiência sensorial regula diferentes genes do cérebro, dependendo de sua idade e da sua experiência passada", disse Shatz. "Assim, a criação, ou nossa experiência do mundo via nossos sentidos, age por meio da biologia, conjuntos de genes, para alterar circuitos do cérebro".
Essas descobertas podem levar a novos modos de pensar sobre terapias para corrigir problemas de visão surgidos na infância. Como o cérebro é alterado pela visão anormal, restaurar a visão de uma criança com catarata ou estrabismo pode não bastar.
O estudo ajuda ainda a reforçar a idéia de que, mesmo em adultos, atividade mental estimula a agilidade do cérebro. "Mesmo nos ratos mais velhos, vimos genes controlados pela visão. Genes no cérebro mudam com a experiência em todas as idades", disse Shatz.
