Realidade diferente de outros estados. Atualmente a lista de transplante de coração no Espírito Santo está praticamente vazia. Apenas uma pessoa espera pelo órgão. No entanto, a situação não é a mesma para quem precisa de um transplante de rins, córneas ou fígado.
Na lista de espera existem atualmente 788 pacientes esperando um novo rim; 288 esperando por córneas; 10 aguardando por um fígado e três por um transplante conjugado de rins e pâncreas.
De acordo com a assistente social da Central de Órgãos, Maisa Ferrão, o Espírito Santo ocupa o segundo lugar no ranking nacional de transplante de rins por milhão de habitantes, perdendo apenas para São Paulo. Somente no ano passado, o Estado realizou 50 transplantes do órgão. Na avaliação dela, o transplante de córnea ainda enfrenta dificuldade de ser realizado. "Para fazer a doação das córneas é simples, porque até seis horas após a morte a família pode fazer a doação. A gente mantém uma lista de espera sempre em torno de 200 pacientes. O que é um número alto já que a gente poderia até zerar a lista", avalia.Os casos de transplantes de rim, fígado e coração exigem que os órgãos sejam retirados antes da morte, quando o doador já apresenta paralisação cerebral, mas permanece com o coração funcionando. De acordo com a assistente social, esse é um dos principais motivos para que os familiares não autorizem o transplante. Desde o final de 2001, quando a Lei do Transplante foi alterada, somente a família do doador pode autorizar a operação. Antes, bastava que o doador, em vida, manifeste a vontade de doar os órgãos.
Atualmente o índice de negativa familiar no Estado é de 37,7%. Segundo Maisa Ferrão, esse índice já foi maior, mas ainda não é satisfatório. Para ela é preciso trabalhar a conscientização das pessoas. Para entrar na lista de espera por um transplante, o paciente deve ser encaminhado a Central de Órgãos por meio do médico particular.
