A alergia ocular é um dos problemas mais comuns na prática clínica e inclui um grupo de doenças que pode afetar diferentes áreas da superfície externa ocular, nomeadamente a conjuntiva, a córnea, o fluido lacrimal ou as pálpebras.
“É uma doença bastante freqüente, e embora, na maior parte das vezes não assuma uma gravidade clínica muito grande tem um impacto importante na medida em que interfere muito com o dia-a-dia, diminuindo a qualidade de vida do indivíduo”, revelou o imunoalergologista Luís Delgado. Esta declaração foi feita durante um simpósio organizado pela Almirall, companhia espanhola localizada em Barcelona, que reuniu em Lisboa mais de 600 especialistas de todo o Mundo.
Segundo Luís Delgado, há noção que os doentes não recorrem ao tratamento apropriado, consomem muita medicação na farmácia e só muito tarde aparecem no médico. Contudo, “existe medicação eficaz e que pode controlar bem os sintomas”.
“Muitos destes doentes têm sintomas que acabam por ser recorrentes e, portanto é fundamental, fazer uma aproximação correta de diagnóstico e terapêutico que traz sempre vantagens”, acrescenta o imunoalergologista, referindo que assim numa nova recorrência de sintomas é possível controlar a doença com muita facilidade.
Numa altura em que doenças alérgicas como a rinite alérgica, a asma ou a conjuntivite atingem 20 por cento da população ocidental, com efeitos nocivos tanto ao nível individual como em termos de peso nos recursos de saúde e econômicos, ainda persiste muito a noção de que estas patologias são na maior parte dos casos inconseqüentes.
Luís Delgado sublinha que com freqüência este tipo de doenças têm associados outras manifestações alérgicas que podem ser desvalorizadas quer pelos doentes quer até pelos médicos. Mas muitas vezes, “é preciso um tratamento de fundo para evitar a recorrência e evitar um impacto maior na qualidade de vida”.
Este encontro serviu também para a apresentação de um avanço farmacológico no tratamento destas condições. Trata-se de uma nova formulação de um anti-histamínico, a ebastina, agora com maior facilidade de administração para os doentes, uma vez que pode ser dissolvido na boca, sem ser necessário o recurso à água.
Como explica Luis Delgado, de uma maneira geral todos os anti-histamínicos orais fazem parte das opções terapêuticas para a conjuntivite alérgica. Claro, que muitas vezes como são doenças que têm uma mediação complexa que envolvem várias células e mediadores, não são possíveis de controlar apenas com um único medicamento e como tal utilizamos mais que um fármaco, por exemplo, associando medicação oral e local (gotas oculares).
De acordo com os especialistas, esta nova formulação, em breve disponível em Portugal, permite uma maior comodidade e adesão à terapêutica e, consequentemente, um melhor controlo dos sintomas.
“O aspecto da prática do dia-a-dia é importante. Muitas destas doenças atingem gente jovem ativa, que passa muito tempo fora de casa e que só regressa à noite e, portanto ter um medicamento à mão e que possa tomar numa altura que não pode prever a exposição alérgica e o agravamento dos sintomas é seguramente uma vantagem”, conclui Luis Delgado.
