O verão começa hoje hemisfério sul exatamente às 15h35 (horário de Brasília). A expressão verão vem do latim vulgar (veranum, i.e., veranuns tempus). É a estação mais quente do ano porque o sol incide de forma mais direta na Terra, tornando o calor mais intenso, como explica o engenheiro agrônomo especialista em agrometeorologia, Ricardo Zorzenon.
Outra característica do verão é que os dias são mais longos do que as noites, justamente pela intensidade da incidência da luz solar.
É um período sujeito a mudanças rápidas nas condições climáticas, levando à ocorrência de chuvas de curta duração e forte intensidade, principalmente no período da tarde.
Zorzenon explica que estas chuvas também são um produto do aquecimento. “Como há mais calor, evapora mais água da superfície. Essa água sobe, se condensa e chove”, descreve. Outro motivo que explica a grande quantidade de chuvas durante o verão é que as fontes de precipitações podem ser duas: localizadas (situação descrita acima) e frentes frias. “No inverno só temos as chuvas provocadas por frentes frias”, explica Zorzenon.
O verão 2005/2006 termina no dia 20 de março, quando começa o outono.
As quatro estações
A definição das estações do ano não tem qualquer relação com a distância entre a Terra e o Sol, como pensa muita gente.
São determinadas pela inclinação do eixo de rotação da Terra com relação à sua órbita. E é essa inclinação que faz com que a quantidade de energia solar que atinge um mesmo ponto da superfície terrestre seja variável ao longo do ano.
As datas que marcam o início das estações são chamadas de solstícios de inverno e solstícios de verão, e equinócios, no caso da primavera e do outono.
Estação requer mais cuidados com a pele
A chegada do verão está associada a lazer, praia, piscina e muito sol. Porém, o que era para ser uma diversão pode se tornar um grave problema de saúde.
Descuidos com a exposição excessiva aos raios solares podem ocasionar câncer e outros problemas de pele provocados pelo excesso no bronzeado.
O Inca (Instituto Nacional de Câncer), órgão ligado ao Ministério da Saúde, estima que no próximo ano surjam mais de 120 mil novos casos de câncer de pele.
Tomar algumas medidas antes de se expor ao sol pode ajudar e muito na prevenção destas doenças.
A melhor forma de evitar o câncer de pele é evitar se expor ao sol, sobretudo entre 10 e 16 horas. Quando a exposição solar for inevitável, deve-se usar um protetor solar com fator de proteção solar de no mínimo 15, e reaplicá-lo a cada duas horas ou após entrar na água. Receitas caseiras e ‘artesanais’ jamais devem ser usadas para se bronzear.
O uso de óculos escuros, chapéus e camisetas é bem-vindo. As dicas também devem ser seguidas em dias nublados e por indivíduos de pele morena.
O guarda-sol deve ser preferencialmente fabricado com tecido de lona ou algodão. Esses materiais absorvem até 50% da radiação ultravioleta – prejudicial à pele. Os de nylon (justamente os mais usados, por serem mais leves e mais baratos) deixam que 95% dos raios ultrapassem o material.
Na praia, mas na sombra
O médico Gilvan Alves, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, condena a exposição exagerada ao sol e confessa que, quando chega à praia, puxa sempre a cadeira para a sombra, enquanto quase todos seus amigos fazem justamente o contrário.
Ele garante que, mesmo quando vai ao litoral de férias, volta exatamente do jeito que estava quando deixou a cidade. E explica: “O bronzeamento é, na verdade, uma resposta da pele à agressão do sol. O bronzeado vai embora, mas o dano fica, em forma de manchas, na destruição da elasticidade (fator que provoca envelhecimento) e na alteração da pigmentação da pele”.
Não bastasse isso, o dermatologista lembra que o sol em excesso reduz a imunidade do corpo e facilita o aparecimento de infecções. A areia da praia e a superfície da água, seja da piscina ou do mar, refletem claridade solar e também causam danos à pele.
Segundo os dermatologistas, ninguém desenvolve câncer em uma só temporada de verão, mas os efeitos nocivos do sol são cumulativos.
Segundo pesquisa recente, realizada pelo médico Lúcio Bakos, da SBD, quem já se queimou o suficiente para que a pele descascasse mais de 30 vezes tem 11,4 vezes mais chance de desenvolver o melanoma (o câncer de pele mais agressivo), em comparação a quem nunca teve queimaduras.
O uso do filtro solar não livra ninguém totalmente da doença, mas é um aliado importante, porque ameniza boa parte da ação dos UVB. Quem tem pele clara e se protege sempre da radiação solar tem menos chance de desenvolver câncer de pele do que os que têm pele escura e não usam filtro.
Os raios solares são tão perigosos para a pele quanto para a visão. A incidência intensa deles pode contribuir para o aparecimento da catarata. Mais do que acessórios, os óculos de sol são fundamentais para proteção dos olhos.
Micoses
Outro problema de saúde relacionado ao verão são as micoses, que atingem a pele e até o cabelo e as unhas. Os lugares mais afetados são virilhas, dedos dos pés e outros locais onde há dobras na pele. O atrito causado por essas dobras provoca descamação e forma alimento para fungos, que preferem ambientes quentes e úmidos.
É importante que a pessoa esteja atenta para o aparecimento de coceiras localizadas, bolhas, fissuras, escamações e manchas e que busque ajuda de um dermatologista assim que constatar o surgimento de qualquer das alterações.
Quando não tratadas, as micoses podem causar infecções. Os cuidados precisam ser redobrados no caso de recém-nascidos e idosos. Os diabéticos devem prestar bastante atenção às alterações que surgirem nos pés, que são bastante suscetíveis e não devem sofrer lesões.
