Enfermeiras e farmacêuticos britânicos poderão receitar remédios

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      A partir da primavera de 2006, os britânicos que estiverem precisando de remédios com urgência poderão conseguir receitas diretamente com uma enfermeira ou um farmacêutico.
      As enfermeiras britânicas têm o direito de prescrever alguns remédios para ferimentos e doenças menos graves desde abril de 2002. A margem de manobra para essas receitas aumentou em 2003 e depois, em maio de 2005. A ministra da Saúde, Patricia Hewitt, foi ainda mais longe na quinta-feira, conferindo às enfermeiras e aos farmacêuticos poderes quase idênticos aos dos médicos.
      Após uma formação suplementar de 38 dias, cerca de 450 farmacêuticos e 5.7OO enfermeiras estarão habilitados para prescreverem a quase totalidade dos medicamentos existentes, exceto os catalogados como droga, entre eles a morfina.
      "Irresponsável e perigoso", reagiu imediatamente James Johnson, presidente da Associação britânica dos médicos (BMA), ao anúncio de Hewitt, pedindo uma reunião "de emergência" com a ministra.
      "Este anúncio coloca questões relacionadas à segurança dos pacientes e estamos muito preocupados porque a formação proposta ainda está muito distante dos cinco ou seis anos de estudo do curso de medicina", acusou Hamish Meldrum, representante dos clínicos gerais na associação.
      Oficialmente, esta mudança pretende oferecer mais possibilidades de escolha aos britânicos: "trata-se de uma etapa intermediária para um sistema de saúde dirigido pelos pacientes, que lhes dará o poder de escolher por quem e quando eles serão tratados", explicou Hewitt.
      Mas a realidade é bem diferente: a medida ajudará a atenuar a falta de médicos, num país que não formou profissionais suficientes nos últimos anos. O Reino Unido conta com 166 médicos para 100 mil habitantes, contra 329 para 100.000 habitantes na França por exemplo, segundo os dados da Organização Mundial da Saúde.
      Com falta de médicos e de enfermeiras, o sistema de saúde britânico enfrentará problemas nos próximos anos, a não ser que contrate profissionais no exterior, sobretudo na África. Uma prática que a BMA recentemente qualificou como "pilhagem".
      Dois terços dos médicos e 40% das enfermeiras que chegaram ao mercado de trabalho britânico em 2004 se formaram fora do Reino Unido, a maior parte no continente africano, segundo a BMA.
      No total, 31% dos médicos que exercem a profissão atualmente no Reino Unido se formaram no exterior, contra 5% na Alemanha ou na França, segundo o Lancet, uma revista americana especializada. Apesar de pouco numerosos, os médicos britânicos são bem tratados: de acordo com o novo sistema de registro estabelecido pelo governo trabalhista de Tony Blair, os clínicos gerais ganham cerca de 100 mil libras (146 mil euros) por ano em média.
      Os médicos britânicos assinaram em 2004 um contrato bastante vantajoso com o NHS, o sistema de saúde pública britânico, que os exonera da prestação de atendimento à noite e nos finais de semana. Nesses períodos, o NHS deve convocar médicos da Alemanha, da Áustria ou da Espanha.

Source: AFP
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