Doação de órgãos no Brasil

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        O Brasil possui o maior sistema público organizado do mundo para a captação e transplantes de órgãos e tecidos. Mas tem também a maior fila de espera: dois anos para o transplante de fígado e quatro para rim. De 20 a 30% dos 16 mil pacientes que esperam a realização do transplante morrem na fila esperando por uma doação. O número de mortes em Campinas é de aproximadamente 500 óbitos por mês. Entretanto, o número de doadores é pequeno, pela falta informação e ainda há muitos tabus sobre a morte.
          "O conceito de morte que predomina em nossa sociedade e nas religiões judaico-cristãs é o cardiocentrista, na qual a vida está ligada ao coração e a intervenção divina. A partir de 1959, o modelo de morte encefálica foi apresentado à sociedade e esse é a base do diagnóstico para a realização da doação de órgãos. Mas como quebrar paradigmas religiosos e culturais de milhões de anos em tão pouco tempo?", questionou Luiz Antonio da Costa Sardinha, neurologista do Hospital de Clínicas (HC), durante palestra realizada terça-feira no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), em comemoração ao Dia Nacional do Doador de Órgãos e Tecidos.
          Mas por que é tão difícil doar? Segundo o médico neurologista, o que existe na sociedade brasileira é um exagerado culto ao corpo, em que a presença física é uma necessidade e cuja raiz está no egoísmo. Além disso, há uma desconfiança por parte do cidadão com relação ao governo. "Essa desconfiança perdura há 500 anos. Implantar um sistema de captação de órgãos é uma prova de coragem e seriedade dos profissionais envolvidos nos novos conceitos e padrões de qualidade de vida da sociedade moderna. Como disse Michelangelo: 'Eu vi o anjo no mármore e esculpi até libertá-lo', você pode morrer como uma pedra ou ser o anjo dentro do mármore e reconhecer a beleza do ato de doar", concluiu Sardinha.

Source: Unicamp
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