Intervenções governamentais crescentes, restrições à obtenção de financiamentos, pressão por rentabilidade, agilidade, qualidade, transparência e responsabilidade social, além da busca contínua pela fidelização dos clientes.
Esse cenário, velho conhecido de executivos de grandes empresas brasileiras e de multinacionais, finalmente avança em um setor tradicionalmente marcado pela falta de profissionalização: o da saúde. Mas o que, em um primeiro momento, aparenta uma ameaça aos gestores dessa área, trata-se de uma oportunidade para os profissionais da saúde.
Pelo menos é o que afirmam alguns dos principais executivos do setor, que se reuniram na semana passada para discutir desafios, estreitar relacionamentos e fechar negócios durante o Saúde Business Forum, em Una, na Bahia.
"Não dá mais para improvisar. É preciso saber gerir, administrar, entender o negócio. Formar bons gestores é o maior desafio", sugere a consultora Maria Silvia Bastos Marques, que proferiu palestra sobre liderança e gestão de saúde.
Ex-presidente da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), que hoje faz parte do conselho de administração do Pão de Açúcar, ela elenca aspectos essenciais a quem pretende ter uma carreira de sucesso na área: ética, bom senso, ousadia, capacidade de aprender, de selecionar e motivar a equipe, de delegar e de dar suporte. "É preciso ter brilho nos olhos", diz.
E, ao contrário do que acontece atualmente, a tendência é que o novo executivo de saúde não tenha formação na área médica, o que abre oportunidades para profissionais de áreas como engenharia e tecnologia da informação.
"O importante é que o gestor monte boas equipes, independentemente de ser médico ou não. Basta conhecer bem o mercado", defende Marcos Davi Pedra Hume, superintendente da Unimed. "Às vezes, é melhor não ser médico -o qual, muitas vezes, apresenta bloqueios na posição de líder", enfatiza o presidente da Blue Life, Ayres da Cunha Marques.
Na avaliação de presidentes de hospitais, dirigentes de operadoras de planos de saúde e gestores de ONGs, mais do que ter conhecimento técnico e habilidade para lidar com equipamentos avançados, o segredo para despontar como um potencial nessa área é saber criar bons relacionamentos.
"É um mercado em que o mais importante é a interação com o outro. Geralmente, lidamos com seres humanos em seu momento mais frágil e de maior exposição", comenta a presidente do hospital Divina Providência (um dos maiores de Porto Alegre), Clair Agnes. "O relacionamento é a base de tudo", assinala Ayres da Cunha Marques, da Unimed.
Para o executivo João Aidar, do hospital Bandeirantes, o gestor de saúde na atualidade "deve estar apto a agir com resolutividade, a planejar preço justo e a mostrar transparência no negócio". "É preciso ter perseverança, sobretudo para superar obstáculos como a falta de mecanismos de financiamento. O futuro executivo deve saber que não é uma tarefa fácil", diz o presidente da Fundação Zerbini, Francisco Mesquita.
