Cientistas americanos estão desenvolvendo um chip que será implantado nos olhos de cegos para restaurar parte da visão. O objetivo é fazer com que pessoas que sofrem de certas formas de cegueira consigam recuperar um pequeno grau de visibilidade. Esse sistema poderá ser utilizado em pacientes que sofreram de doenças degenerativas que danificam os bastonetes e cones, células do olho que convertem luz em impulsos elétricos. 'Nosso objetivo é fazer com que uma pessoa cega possa ler, se mover pela casa e fazer as tarefas domésticas', diz o líder do projeto Kurt Wessendorf, dos Laboratórios Nacionais Sandia, nos Estados Unidos. Segundo Wessendorf, os pacientes não poderão realizar tarefas como dirigir um carro, já que as imagens que poderão ver serão lentas e não será possível enxergar perfeitamente todas as cores. Na primeira fase do projeto, os chips serão implantados no globo ocular. Os pacientes usarão um par de óculos com uma câmera minúscula e um transmissor de frequencias que enviará as informações visuais e eletricidade para o chip, que por sua vez mandará impulsos elétricos para o cérebro. Esse não é o primeiro projeto que pretende restaurar parte da visão através de chips. Outro experimento, realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, também envolve um aperelho formado por óculos especiais. Os cientistas do instituto implantaram microchips no fundo do olho de alguns pacientes cegos. São dois chips, um é acionado pelos raios solares e o outro recebe sinais capturados por uma câmera presa nos óculos. Um dos supostos candidatos à cirurgia para implantá-los é o cantor americano Stevie Wonder. Em outra experiência, realizada em junho de 2000, médicos da Universidade de Illinois, em Chigaco, Estados Unidos, implantaram retinas artificiais nos olhos de três pacientes que haviam perdido quase toda a visão. Retina é a camada fina que recobre a face interna do globo ocular. Ela é constituída por um tecido neurosensorial, com receptores que enviam as informações visuais captadas ao longo do nervo ótico até o cérebro. A Retina Artificial de Silicone, ou (ASR, sigla em inglês), é um micro-chip de silicone cujo objetivo é repor as células sensíveis à luz danificadas por doenças ou por queimadura do sol na retina. A ASR foi criada pelo Dr Alan Chow, que participou das cirurgias experimentais. A operação foi feita com três pequenas incisões na esclerótica, a região branca do olho do paciente. Através delas, eles usaram um aparelho de aspiração para remover o gel que preenche o interior do olho e repuseram esse gel com uma solução salina. Isso faz com que uma parte da retina se levante, criando uma pequena 'bolsa', através do qual a ASR pôde ser inserida. Um outro grupo de cientistas, da cidade de Kyoto, no Japão, anunciou em novembro do ano passado que havia desenvolvido uma técnica que ajudaria a restaurar a visão de pessoas cegas por danos na retina. O processo consiste em extrair células da íris, a parte colorida do olho e que controla a quantidade de luz que entra pela pupila. Essas células não são sensíveis à luz. No laboratório, eles criaram um meio de cultura em que as células são multiplicadas e transformadas de modo que se tornassem sensíveis à luz e pudessem ser transplantadas para a retina. As células foram transformadas adicionando-se a elas um gene conhecido como Crx que é normalmente encontrado na retina. Quando esse gene é adicionado, produz uma proteína chamada rhodopsin, que também é encontrada na retina.
