Entidades médicas tentam impedir abertura de faculdade de medicina em SP

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Entidades da classe médica, entre elas a Federação Nacional dos Médicos (FENAM), o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP) e a Associação Paulista de Medicina (APM) estão tentando impedir a abertura da escola médica da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID). Através de um manifesto, as instituições pedem ao Ministério da Educação que suspenda os processos de registro do curso, até que seja elaborada uma nova política para a abertura e renovação das faculdades de medicina. O Conselho Nacional de Saúde, órgão máximo de controle social do setor, já se manifestou contrário à implantação do curso da Unicid e de dois outros em Minas Gerais. Segundo os dirigentes das entidades, o Brasil já possui 283 mil profissionais em atividade no país - 37 mil só na cidade de São Paulo -, e não precisa de mais médicos. O país conta, atualmente, com 118 escolas de medicina, que formam cerca de 9 mil médicos por ano, a maioria concentrada nos grandes centros. Há excesso de médicos na capital paulista e também déficit de serviços públicos. "Repudiamos a decisão do MEC de concessão de novos cursos de medicina, negócio lucrativo nas mãos dos empresários da educação, mas um engodo aos seus futuros alunos e uma afronta aos profissionais e à sociedade", diz o documento. A Federação Nacional dos Médicos, uma das instituições que assinam o documento, quer que o novo governo estabeleça um controle mais rigoroso para a abertura de escolas médicas no país. O presidente da FENAM, Héder Murari Borba, chama atenção para o fato de que, além de comprometer a qualidade do ensino, a proliferação indiscriminada de faculdades de medicina no país faz com que pelo menos 40% dos recém-formados não tenham acesso à residência médica. Além disso, a população sofre diretamente as conseqüências por conta da má formação dos profissionais. Até 1995, o Brasil contava com 79 cursos de medicina, mas com a mudança nas regras de concessão para autorizar o funcionamento de novas escolas, em apenas sete anos o número cresceu para 118. "Desse total, pelo menos 50 não precisariam estar funcionando", diz o presidente da FENAM. "Só para citar parte do resultado da abertura indiscriminada de escolas médicas, os cerca de nove mil profissionais que são lançados no mercado de trabalho a cada ano, além de sofrerem as conseqüências da má qualidade do ensino, ingressam em um sistema que não tem suporte para oferecer as condições necessárias ao bom desempenho da profissão, já que o Brasil possui atualmente apenas cinco mil residências médicas para todo esse contingente de recém-formados", diz Héder Murari Borba. Ele acrescenta que isso faz com que boa parte dos novos profissionais passe a trabalhar diretamente nas emergências dos hospitais - setores onde deveriam atuar os médicos mais experientes -, e recebendo salários incompatíveis com a atividade que exercem. Para conter essa prática, conforme afirma o presidente da Federação dos Médicos, é preciso que a análise das concessões de autorização para funcionamento desses cursos seja feita, primeiramente, pelos Conselhos Estaduais de Saúde, Conselho Nacional de Saúde e pelo Conselho Federal de Educação, para que só depois disso o MEC possa autorizar, como ocorria anteriormente. Héder Murari Borba considera, ainda, que avaliações como o Exame Nacional de Cursos, o "Provão", não comprovam a qualidade da formação, que deveria ser monitorada durante todo o curso e finaliza dizendo que o Brasil precisa é de um ensino médico de qualidade para atender ao interesse de todos e não de uma quantidade desnecessária de escolas de Medicina em nome da conveniência de alguns.

Source: Fonte: Federação Nacional dos Médicos
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