Uma pequena câmera fixada no monitor do PC capta a trajetória do olhar do usuário que navega na web. Com base no movimento dos olhos, o computador identifica preferências e filtra as informações que mais interessam à pessoa. Esse estudo, conduzido por pesquisadores da IBM, foi um dos temas abordados na palestra "O futuro já não é o que era", apresentada pelo cientista brasileiro Jean Paul Jacob, pesquisador do laboratório da IBM em Almaden, Califórnia, a uma platéia de jornalistas da Editora Abril. Segundo Jacob, essa câmera funciona como um rastreador de pupila, capaz de identificar com precisão quais as informações que atraíram por mais tempo a atenção do usuário. Nos acessos seguintes, os assuntos que mais chamaram sua atenção, como as notícias sobre um determinado time de futebol, serão exibidas com maior destaque na tela. É uma forma de fazer o computador se comunicar melhor com o usuário, ou seja, colaborar com ele. E o experimento vai além: o próximo desafio, já em testes, é fazer com que o computador reconheça também as expressões faciais associadas às informações lidas na tela. Na prática, o sistema pode ser muito útil para facilitar a vida das pessoas em meio ao mar de informação a que estão expostas diariamente. "O conhecimento é a informação filtrada por um modelo", afirmou Jacob. Segundo ele, a revolução dos bites - que ele chama de Bit Bang, em alusão ao Big Bang - foi o que de mais importante aconteceu na história da humanidade até hoje. "Isso revolucionou a nossa vida. Agora nos alimentamos de informação." E um dos maiores desafios contemporâneos é melhorar os sistemas de busca na web para que seja mais fácil obter conhecimento a partir do emaranhando de informações disponíveis na internet.
