Portadores de deficiência visual expressam seus talentos

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Como um prêmio na loteria, a arte de interpretar tem um valor incalculável, mesmo para as pessoas que não podem enxergar umas às outras em cena. A auto-estima, a desinibição, o novo ciclo de amizades, a melhora da postura e da saúde são alguns dos fatores positivos na quebra de barreiras enfrentadas pelos portadores de deficiência visual. Os personagens são desafiadores a cada integrante do grupo, formado há seis anos no Ceará e pioneiro no Brasil por atuar profissionalmente.A peça "A Vida de Cego é uma Comédia", que retorna aos palcos no próximo mês de agosto, após dois anos em cartaz e com sucesso de público, tem uma única personagem feminina, interpretada por Rozelane Pessoa, 32. Ela reconhece que o teatro a fez perder a timidez, melhorar a postura e a maneira de se expressar.Mesmo com todas essas conquistas, o grande sonho de Rozelane é - nem que fosse por uma hora, apenas - poder se ver em cena e ter a certeza de que sua personagem está completa de corpo e alma. Apesar de sua vida toda ter sido em preto e branco, mas pintada de colorido por sua imaginação, Rozelane começou a vencer as barreiras ao concluir o Ensino Médio, depois formar-se em Pedagogia e, já no próximo semestre, voltar para a sala de aula no curso de especialização em Psicopedagogia. O teatro, explica, só veio enriquecer os conhecimentos adquiridos. No seu dicionário a palavra dificuldade foi riscada, por sempre a transformar em aprendizado.Rozelane ou Rosa, como é carinhosamente chamada, já teve a oportunidade de interpretar Maria Madalena em "Paixão de Cristo"; a mãe de Juquinha em "Álbum de Família" e, mais recentemente, Rosa Caça Todos de "A Vida de Cego é uma Comédia". Neste último papel, ela é disputada por três fortes candidatos que encontra na Internet. Trata-se de uma cearense emergente que não quer ficar no caritó e faz de tudo para subir ao altar. Jorge Bucho, uma alusão ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi incorporado por Júlio César Costa, 18, na peça "A Vida de Cego é uma Comédia". Ao lado do outro personagem, Cidão Usêmen, referência a Sadam Hussein, interpretado por Hortêncio Pessoa, 62, o jovem explica que a guerra, neste caso, é pelo amor de Rosa Caça Todos. Há cinco anos trabalhando como ator, ele definiu a sensação quando sobe no palco como um grande êxtase."Na hora da dificuldade ou de algo que não está programado, acabamos caindo no improviso. Mas sempre dentro do contexto", exemplifica o jovem ator ao ser perguntado sobre o esquecimento de alguma passagem do texto ou um tropeção - que pode acontecer, inclusive, com os mais experientes. Hortêncio Pessoa é uma exceção no grupo, já que teve a possibilidade de enxergar a vida como ela realmente é por três vezes. Porém, aos 59 anos, perdeu a visão de vez e assumiu sua nova condição."O teatro é como uma transfusão sangüínea. Ele me deu sangue novo no momento certo", resume Hortêncio. Personagem surpresa, Sérgio Albuquerque, 38, aproveitou no teatro o dom de interpretar os mais variados sons e falas. No palco, garante, se sente bastante amado, ainda mais quando a namorada o acompanha. O violão e músicas católicas e sertanejas são outra paixão de Sérgio, que espera a oportunidade de poder tocar literalmente o coração das pessoas com esta outra interpretação, só que no palco. Informações: (85) 493 4503 ou 238.1729

Source: Diário do Nordeste
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