Centro amplia capacidade de atendimento de pacientes de glaucoma

Photo caption

Uma doença silenciosa, que não dá sinais de alerta, mas que pode levar à cegueira. O glaucoma já atinge quase 1 milhão de brasileiros, dos quais mais da metade não sabe ser portador da lesão do nervo ótico, já que ela não apresenta sintomas aparentes. Em Belo Horizonte, segundo estimativas do Grupo Santa Casa, há cerca de 32 mil pessoas que precisariam do diagnóstico precoce da enfermidade. Somente na instituição são atendidos cerca de 1,5 mil pacientes por ano, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Outros 4,5 mil pacientes cadastrados ficam sem atendimento. Mas esse quadro está prestes a mudar. Para suprir a demanda, o grupo inaugura, na sexta-feira, o Centro de Referência de Glaucoma, que vai ampliar em mais de 500% a capacidade de diagnóstico e tratamento.

A doença é caracterizada pela lesão progressiva do nervo ótico, órgão responsável pela transmissão de estímulos luminosos ao cérebro. O chefe do centro, Wagner Duarte Batista, afirma que, se não for diagnosticado em tempo hábil, o glaucoma pode causar cegueira irreversível. "Um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento é o aumento da pressão intraocular. Sem tratamento rápido, a elevação da pressão pode ocasionar lesões permanentes", observa o oftalmologista. Pessoas com mais de 40 anos, que tenham histórico familiar, sejam afrodescendentes, portadores de diabetes ou de miopia têm mais chances de desenvolver a doença. “Por isso, a partir dos 40 anos é fundamental a consulta periódica ao oftalmologista”, alerta o especialista.

A dona de casa Celenir Pinheiro tem 51 anos e é portadora do glaucoma há 10. Ela faz parte do grupo de risco, pois tem miopia, além de casos na família. “Minha mãe, duas irmãs e um sobrinho também são portadores”, relata. Ainda assim, ela demorou a fazer o exame de rotina. “Só procurei o médico quando minha vista começou a embaçar”, conta. Ao apresentar sintomas como os de dona Celenir, a doença, geralmente, encontra-se em estágio avançado. Com o diagnóstico tardio, Celenir teve perda parcial da visão do olho esquerdo. Geralmente o tratamento é medicamentoso, com o uso de colírios específicos. Nos casos mais graves são recomendados o laser ou a cirurgia tradicional. Celenir tentou o primeiro procedimento. Sem sucesso, recorreu à cirurgia, recuperando parte da visão afetada.

Sem Cura

O glaucoma não tem cura. Porém, o médico Wagner Batista afirma que, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, menores são as chances de evolução para a cegueira. Por isso, o especialista reforça a necessidade de que as pessoas com idade acima de 40 anos consultem um oftalmologista pelo menos uma vez por ano, mesmo que não apresentem nenhum problema de visão. Se soubesse disso antes, provavelmente o aposentado Álvaro dos Santos, de 59 anos, poderia ter evitado os efeitos da doença. "Nunca tive nada, então só procurei um oftalmologista quando comecei a enxergar tudo embaçado", conta. Mais uma vez o diagnóstico poderia ter sido mais antecipado. Por enquanto, o aposentado usa apenas os colírios indicados para o tratamento. Mas ele também deve passar por uma cirurgia corretiva em breve.

Com o envelhecimento da população mundial, a tendência é de que os números de glaucoma aumentem anualmente. Estima-se que, a cada ano, surjam, em média, 2,4 milhões de casos no mundo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente na Grande BH há mais de 1,5 milhão de pessoas com mais de 40 anos. Levando-se em conta as previsões de que 2% desse grupo desenvolverão a doença, serão pelo menos 30 mil belo-horizontinos afetados. Até o fim de 2011, o Centro de Referência do Glaucoma da Santa Casa terá capacidade para realizar 10 mil atendimentos por ano.

Grupos de risco

Pessoas com mais de 40 anos;

Raça negra: população tende a desenvolver o glaucoma numa idade inferior à média e a probabilidade de ser afetada é quatro vezes maior em relação aos brancos;

Miopia grave: as pessoas que usam lentes acima de seis graus também estão sujeitos a um risco maior;

Diabéticos;

Pacientes que tiveram trauma ocular ou doenças intraoculares.

Source: Estado de Minas
Thanks! Your subscription
has been successfully issued
Error occurred