Médico critica atitude de jovens que usam a bebida como colírio alucinógeno
Uma atitude perigosa, que tende a se transformar em modismo, está preocupando os médicos oftalmologistas. Jovens, influenciados por vídeos publicados na Internet, estão pingando vodka nos olhos. A prática, conhecida como “vodka eyeballing”, começou nos Estados Unidos, e agora está chegando no Brasil.
Dois jovens, entre 21 e 23 anos, que colocaram vodka no olho, foram atendidos nos últimos dias pelo oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Dr. Leôncio Queiroz Neto. “Isso é uma brincadeira perigosa e de mau gosto, que traz conseqüências graves, inclusive, a perda da visão”.
Os pacientes apresentavam derretimento na córnea, que é uma membrana transparente que fica em frente à íris, parte colorida do olho. Os sintomas sentidos pelos pacientes foram dor localizada, vermelhidão, muita sensibilidade à luz, lacrimejamento e visão borrada.
O caso mais grave é o de um paciente de 23 anos que está com a córnea comprometida e vai precisar de um transplante. De acordo com Dr. Queiroz Neto, o jovem aplicava várias doses, chegando até a virar o gargalo da vodka direto no olho.
Outro paciente, de 21 anos, não teve tantas seqüelas e o tratamento deve durar de 30 a 45 dias. “Ele sofreu um edema, mas como não aplicou muitas vezes, não será necessário operar”, explica o médico.
Segundo o Dr. Queiroz Neto, o que os jovens queriam era um efeito alucinógeno. “Eles achavam que jogando vodka nos olhos iam ter ‘barato’ e poderiam curtir melhor a noite”. E completa: “Procurei na Internet para ver de onde eles tinham tirado a inspiração, e achei um absurdo tudo o que vi”, afirma.
Os dois pacientes, que não se conhecem e procuraram o médico com uma semana de diferença, esconderam dos pais a atitude. “Esses jovens são dependentes químicos e os pais deles ficaram surpresos quando souberam”, diz o Dr. Queiroz Neto.
As pessoas que, sem conhecimento das consequências, praticaram essa brincadeira perigosa, devem procurar um oftalmologista o mais rápido possível e não se automedicarem.
Source: EP Campinas
