Os transplantes de órgãos de animais em seres humanos podem se tornar realidade nos próximos anos, devido à falta de disponibilidade de órgãos humanos, afirmou na sexta-feira Anthony Warrens, um importante cientista da área.
"Foi só nos últimos anos que muitos dos problemas imunológicos em potencial, como a rejeição, foram solucionados, o que significa que transplantar órgãos de uma espécie para outra pode se tornar realidade em breve", disse o pesquisador da Imperial College London.
Warrens afirmou à conferência da Associação Britânica para o Avanço da Ciência, na capital irlandesa, que para cada órgão humano doado, há cinco pessoas que precisam dele.
Os xenotransplantes -- uso de órgãos, tecidos ou células de outras espécies -- são provavelmente a melhor solução para o problema.
Os porcos são uma fonte possível de órgãos para transplante, porque têm aproximadamente o mesmo tamanho que os órgãos humanos e uma fisiologia semelhante. Os cientistas estão criando porcos transgênicos para que seus tecidos não provoquem reações imunológicas nos seres humanos.
Os cientistas ainda não sabem se "retrovírus endógenos suínos" podem ser transferidos para os seres humanos, ou se eles podem sofrer mutações e provocar novas doenças.
"Essa ainda é a principal preocupação associada aos xenotransplantes", disse Warrens.
Mas ele acrescentou que há bons motivos para acreditar que o problema não será significativo. Muitos cientistas já pediram uma moratória dos xenotransplantes enquanto houver riscos.
Quando os cientistas chegarem à fase dos ensaios clínicos, daqui a cerca de cinco anos, os pacientes que receberem os órgãos terão de ser monitorados diariamente pela vida inteira, afirmou Warrens
