Ceará é líder em transplantes de órgãos

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        A sensibilidade do povo cearense para a doação de órgãos tem contribuído para o significativo aumento do número de transplantes no Estado. Este ano já foram realizados 340 transplantes de órgãos. Os números colocam o Ceará como o Estado que mais realiza transplantes no Norte e Nordeste. Mas em relação à doação de tecidos, como é o caso das córneas, ainda apresenta um baixo rendimento, com apenas 188 transplantes realizados e uma lista de espera de 1.355 receptores.
        A baixa complexidade na realização de um transplante de córnea e os poucos requisitos para sua captação são fatores que contribuem para que a busca pelo tecido seja rápida em comparação aos órgãos como coração, rim e fígado. Mas a falta de comunicação entre os hospitais e a Central de Transplantes do Ceará está tornando lento um processo que poderia beneficiar mais receptores.
        "Não tem justificativa para o Estado estar em baixa com o número de córneas quando há condições de até zerar a lista de espera", observa
a enfermeira da Central de Transplantes do Ceará, Eugênia Filizola.
        O transplante de córnea pode ser realizado de seis a 12 horas depois do óbito do paciente e a retirada do tecido leva, em média, de 40 minutos a uma hora. Toda e qualquer pessoa pode ser um doador de córnea, desde que não tenha ido a óbito em decorrência de nenhum tipo de câncer ou por infeção generalizada.
        O problema do baixo número de transplantes está, como explica Eugênia Filizola, na falta de comunicação entre os hospitais e a Central. Ela avalia que se o serviço social das unidades de saúde informassem à Central sobre os óbitos e, em seguida, entrassem em contato com a família sobre a possibilidade de doação, o número de doadores seria bem maior.
        Eugênia Filizola reconhece que os setores de Serviço Social dos hospitais ficam sobrecarregados, mas destaca a atuação do Instituto Dr. José Frota (IJF), que há três anos criou uma Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes e hoje encaminha 99% dos órgãos e tecidos transplantados na Capital. A Comissão é responsável pela identificação de doadores e da intermediação com os familiares e no mês de agosto conseguiu captar 24 córneas.
        Como explica a coordenadora, enfermeira Lisiane Paiva, atualmente, 75% das famílias abordadas pela Comissão foram favoráveis à doação. "O povo cearense é muito sensível à doação", afirma. Ela conta que quando é do conhecimento dos familiares o desejo do paciente em ser doador, a abordagem é mais fácil, daí a importância de cada pessoa, mesmo em uma conversa informal, deixar claro seu posicionamento sobre a doação de órgãos.
        As campanhas de sensibilização sobre a importância da doação de órgãos são as grandes responsáveis pelo aumentos dos transplantes no Ceará e no Brasil, como avalia a enfermeira da Central de Transplantes do Ceará. Este mês, o tema será retomado em âmbito nacional no dia 27, com as comemorações do Dia Nacional do Doador de Órgãos e Tecidos.
        A programação do Ceará ainda está sendo preparada, mas o certo é que o tema ganhará mais visibilidade e formará futuros doadores.

Source: Diário do Nordeste
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