Alemanha, Austrália, Estados Unidos, Israel e Japão são os protagonistas na corrida científica para apresentar ao mundo o “olho biônico”. Mas foram os australianos que lançaram um protótipo que promete devolver a visão a muitos cegos, o que seria o maior marco desde a invenção do alfabeto Braille. A invenção foi projetada para oferecer maior autonomia e qualidade de vida aos pacientes com perda visual decorrente de retinite pigmentosa e degeneração macular.
O “olho biônico” consiste em uma microcâmera montada na estrutura de um par de óculos e de um microchip implantado na retina do paciente. As imagens captadas pela câmera são transformadas em sinais elétricos, que são enviados para o microchip. Esse, por sua vez, estimula diretamente os neurônios ainda saudáveis da retina, a despeito da enfermidade. Por enquanto, o implante permite ao paciente uma visão em baixa resolução, condicionada pelo pequeno número de células sadias da retina e pela quantidade de eletrodos da retina artificial (microchip).
Os pesquisadores calculam que será necessário pelo menos cinco anos para que o protótipo proporcione uma visão de qualidade maior do que as manchas de claridade pouco definidas obtidas hoje. Recomenda-se cautela em relação à novidade. Não pode-se precisar o tempo para que o ‘olho biônico’ entre no mercado, nem custos e indicações precisas. Existem ainda dificuldades técnicas, como compatibilidade do material usado e complicações cirúrgicas.
A indicação do olho biônico é bem específica. Hoje são testadas pessoas totalmente cegas por problemas retinianos, principalmente distrofias genéticas para as quais ainda não há tratamento ou prevenção eficazes e é necessário que exista integridade do nervo óptico para levar a informação para o cérebro. Isso quer dizer que a novidade não serviria, por exemplo, para pessoas cegas por glaucoma. É claro que isso tudo deve evoluir no futuro, podendo aumentar as indicações e melhorar os resultados, mas isso ainda demora um pouco.
