Bebês cegos ou com problemas de visão, na idade de zero a três anos e 11 meses, têm atendimento especial no Instituto Benjamin Constant (IBC), órgão do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro. Os bebês participam de um programa de desenvolvimento no Instituto, composto por várias etapas: fala, linguagem, o andar, segurança, socialização, questão motora, lúdica, mobilidade com as mãos e educação visual - esta última, para aqueles não cegos. São 59 bebês da capital e outros municípios atendidos. Antes de freqüentar as sessões, seus pais são orientados para lidar com as crianças. "Durante, e depois do atendimento, a mãe, pai, avós, pessoas da família têm importância no processo de desenvolvimento", observa a professora e vice-diretora do IBC, Maria da Glória de Souza Almeida. No IBC, a criança é preparada para a vida acadêmica. O trabalho é feito com estimulação por três professoras, duas com curso de fisioterapia. Elas trabalham muito a questão corporal. "Tudo que o bebê aprende, armazena e leva para sua formação. No IBC, ele fica preparado para freqüentar a educação infantil, pois adquire capacidades e habilidades, mesmo com a deficiência", explica Maria da Glória. As sessões são individuais e em grupo, entre duas a três vezes por semana, geralmente por um período. <br><br> Os cuidados na primeira infância proporcionam maiores possibilidades de sucesso quando as crianças chegam à vida adulta. "Tentamos eliminar ou minimizar falhas de desenvolvimento, mas isso depende, também, de cada uma delas e da postura da família", comenta Maria da Glória. Segundo ela, não adianta ter boa infra-estrutura se a família não estiver presente na vida dos filhos. "Precisam ter auto-estima para seguir adiante. O que adquirimos na base é alicerce para nosso desenvolvimento." Problemas - As causas da cegueira ou problemas de visão das crianças vão desde a prematuridade, nascimento de parto difícil, às questões congênitas, acidente na gravidez ou hereditariedade. Maria da Glória destaca que o trabalho emocional é importante para os bebês adquirirem confiança, alegria e prazer. "Temos um setor aparelhado, brinquedos, materiais e bom espaço. Trabalhamos o sensorial, o barulho, a cor e as famílias." Ela foi alfabetizadora e sabe a diferença entre as portadoras de deficiência, que passaram e que não passaram pela estimulação e cuidados na primeira infância. Segundo ela, a evolução das crianças tem caráter individual, dependendo da patologia. "Por melhor que seja o atendimento, é a situação da criança, corporal e mental, que precisa dos cuidados." Além de bebês, jovens e adultos têm atendimento especial no IBC, que comemora seu 150º aniversário. Fundado por Dom Pedro II, em 17 de setembro de 1854, com o nome de Imperial Instituto dos Meninos Cegos, o IBC foi a primeira instituição de educação especial da América Latina. Hoje, é um centro de excelência e de referência nacional para portadores de deficiência visual. Realiza atividades para o atendimento das necessidades educacionais, reabilitacionais, médicas, profissionais, culturais, esportivas e de lazer da pessoa cega e portadora de visão subnormal. Por meio do ensino, pesquisa e extensão, o conhecimento é construído e difundido para o País e exterior, objetivando o aprimoramento e adequação do atendimento às necessidades específicas da clientela. Maiores informações pelo telefones (21) 2543-1119 ramal 152 e 2543-1180 ou no sítio do IBC (www.ibcnet.org.br).
