A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) está capacitando 25 profissionais das secretarias de saúde dos estados da Bahia, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Espírito Santo e Minas Gerais. O objetivo do treinamento é identificar, tratar e monitorar casos de tracoma. além de desenvolver ações para o controle da enfermidade. A doença. que se assemelha a uma conjuntivite, é transmitida pela bactéria Chlamydia trachomatis e é a segunda causa de cegueira no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) O curso que está sendo realizado em Vitória (ES) teve início na segunda-feira (10.06) e se estende até sexta-feira. dia 14. Entre os temas abordados estão a situação do tracoma no Brasil. diagnóstico clínico, laboratorial tratamento da doença. fisiologia e anatomia do olho e principais enfermidades oculares, além de aulas práticas de exames em pacientes. A Funasa vai capacitar profissionais de todos os estados para que atuem na vigilância epidemiológica e controle do tracoma. Até o final do ano, serão treinados técnicos de Santa Catarina, Rio de Janeiro, Amapá, Rio Grande do Sul e Piauí. Os demais estados já tiveram seus profissionais capacitados pela Fundação, O curso deverá se estender também a técnicos dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas. A Funasa realizará a partir de setembro inquérito em escolas públicas, por amostragem para definir o percentual do tracoma entre as crianças brasileiras em idade escolar e orientar as ações de vigilância epidemiológica e controle da doença que deverão ser desenvolvidas. Inicialmente, o inquérito será realizado em São Paulo, Ceará e Tocantins, estados que já têm sistemas de vigilância dessa doença melhor estruturados. A previsão é que essa primeira etapa seja concluída em novembro. Em 2003 o inquérito será estendido a outros estados. A meta é examinar 7.2 mil crianças em cada unidade da federação, totalizando 194.4 mil estudantes em todo o país. A Funasa decidiu pela realização do inquérito em estudantes porque a doença acomete mais crianças em idade entre 8 e 12 anos de idade. Os exames serão realizados em alunos do ensino fundamental nos municípios em que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). indicador de qualidade de vida da Organização das Nações Unidas (ONU). é menor. Essas localidades. geralmente. não apresentam condições adequadas de saneamento básico. o que pode contribuir para a proliferação da doença. O tracoma é transmitido pelo contato direto com a pessoa infectada. O desenvolvimento da doença é favorecido por hábitos de higiene inadequados. algumas vezes difíceis de ser alterados devido às condições de moradia das famílias. Por isso. a Funasa está financiando programas de melhorias sanitárias nas residências e de educação em saúde. As estratégias de educação consistem em promover campanhas junto à comunidade para buscar alternativas de prevenção à doença. como mudança de hábitos de higiene doméstica e pessoal. É importante. por exemplo. mostrar às crianças o risco em se compartilhar toalhas e sabão. Caso não seja tratado. o tracoma causa repetidas infecções nos olhos. Cada vez que a inflamação cicatriza. a pele da pálpebra superior repuxa. fazendo com que ela vire cada vez mais para dentro dos olhos. Os cílios então começam a lesar a córnea, o que pode levar à cegueira. O tratamento consiste na aplicação diária da pomada de tetraciclina a 1% nos olhos por um período de seis semanas. O medicamento é comprado e entregue pela Funasa às secretarias estaduais de saúde que o fornecem gratuitamente à população. Para os indígenas. devido às características culturais. há maior resistência à utilização da pomada. Por essa razão. a Funasa disponibiliza a azitromicina. remédio de uso oral.
