Erros no tratamento agravam glaucoma

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45% dos portadores de glaucoma não fazem o tratamento corretamente e 20%
abandonam por dificuldade financeira, apesar dos medicamentos estarem
disponíveis nas farmácias de alto custo.
Doença sem sintoma que lentamente reduz o campo visual, o glaucoma atinge 5,2
milhões de pessoas no mundo e é apontado pela OMS (Organização Mundial da
Saúde) como a principal causa de cegueira irreversível. No Brasil são mais de
900 mil casos, mas metade dos portadores nem desconfia ter a doença, por não
perceber alterações na visão. De acordo com o oftalmologista do Instituto
Penido Biurnier, Leôncio Queiroz Neto, formam grupos de risco quem tem alta
miopia, diabetes, já passou por trauma ocular ou tem familiares portadores de
glaucoma. Por prevenção, afirma, estes grupos devem fazer exame de vista
periodicamente. Isso porque, é necessário perder mais de 40% dos
prolongamentos do nervo óptico para que a redução do campo de visão seja
percebida e o custo do tratamento é três vezes maior quando a doença já está
em estágio avançado.
Ele explica que o glaucoma é decorrente de enfermidades que dificultam o
escoamento do humor aquoso, líquido que preenche o globo ocular. Isso leva ao
aumento da pressão intra-ocular que comprime o nervo óptico, podendo causar a
morte de suas células e perda permanente da visão. Para interromper a perda da
visão são indicados colírios que mantém a pressão intra-ocular em nível
normal, entre 10 e 21 mmHg.
O problema é que um estudo realizado por Queiroz Neto nos últimos seis meses
com 184 portadores de glaucoma mostra que 45% dos pacientes não fazem o
tratamento corretamente e 20% interrompem o uso dos colírios por causa do alto
custo.  Dos que não fizeram o tratamento correto, 52% desperdiçou colírio
pingando mais que uma gota, 24% instilou o colírio fora da mucosa ocular, 13%
se esqueceu de usar e 11% usou de forma descontínua por causa dos efeitos
adversos.
O médico afirma que pingar mais que uma gota dos colírios encarece o
tratamento e aumenta a absorção pelo organismo podendo ocorrer sintomas como
aumento da pressão arterial, secreção gástrica, inflamação, dor de cabeça e
falta de ar.
Já pingar colírio fora da mucosa ocular, esquecer de usar ou instilar de forma
descontínua para não sentir desconforto nos olhos agrava a doença. Mesmo quem
já passou por trabeculoplastia, procedimento em que é feita uma aplicação de
laser para melhorar o escoamento do humor aquoso e reduzir a pressão
intra-ocular, em 50% dos casos não pode deixar de usar a medicação, adverte.
Em olhos saudáveis, observa, o nervo óptico tem 1,25 milhões de células
ganglionares. No estágio avançado do glaucoma, quando o portador percebe
redução do campo visual, já são apenas 50 mil células com possibilidade de
perder de 3 mil a 5 mil células ao ano sem a medicação, ou seja, pode levar à
cegueira entre 10 e 16 anos.

As principais recomendações para fazer o tratamento correto do glaucoma são:
 Lave as mãos antes de aplicar o colírio.
 Verifique no frasco se é recomendado agitar o produto antes de usar.
 Incline a cabeça para trás.
 Flexione a pálpebra inferior com o indicador.
 Com a outra mão segure o dosador
 Coloque o medicamento sem relar no bico dosado, evitando a contaminação.
 Pressione com o polegar o canto interno do olho para reduzir efeitos
 colaterais
 Feche os olhos por 3 minutos para garantir o efeito
 Se usar lentes de contato retire-as antes da aplicação
 Recoloque as lentes de contato depois de 10 minutos da aplicação
 Em caso de prescrição de mais de um colírio aguarde 15 minutos entre um e outro
 
SAIBA COMO TER ACESSO À MEDICAÇÂO GRATUITA
 
Queiroz Neto afirma que para quem tem dificuldade financeira de manter o
tratamento a alternativa são as farmácias de alto custo que desde 2007
incluíram os medicamentos orais e colírios para glaucoma na listagem de
fármacos distribuídos gratuitamente à população. A liberação demora de 14 a 45
dias. Para ter acesso é necessário apresentar cópia do CSN (Cartão Nacional de
Saúde) que pode ser retirado no centro de saúde mais próxima da residência do
requerente, laudo preenchido pelo médico, receita em duas vias, termo de
consentimento do paciente, cópias do RG, CPF e comprovante de residência. Os
modelos tanto do laudo médico como do termo de consentimento encontram-se
disponíveis nos sites das secretarias de saúde de cada cidade.

Source: LDC Comunicação
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