A cada dia que passa, aumenta o número de pessoas que adotam animais de estimação, tratando-os como “pessoas da família” e cobrindo-os de mimos e beijos. Outra prática comum é a presença de um número expressivo de animais em locais públicos, como ruas, praças e praias, dividindo espaço com os seres humanos. O verão se aproxima e logo as praias estarão lotadas de crianças se infestando com fezes de animais.
Torna-se necessário alertar tanto as autoridades como a população sobre os perigos desse contato, devido ao risco de contaminação por Toxocaríase, doença parasitária transmitida por animais domésticos, que pode causar sérios problemas de saúde, como o comprometimento da visão – diminuição da visão e até cegueira. A contaminação ocorre por ingestão de terra, alimentos ou água contaminados por toxocara.“Esses parasitas atravessam a pele ou as mucosas e, através da corrente sanguínea, chegam ao olho, causando uveíte ( inflamação do olho) e, muitas vezes, cegueira central ou total”, afirma a professora Cristina Muccioli, chefe do Setor de Uveítes da UNIFESP, completando “freqüentemente, atendemos crianças com a doença em estágio tão avançado, que a Medicina não tem recursos para tratar”.
“As crianças estão mais expostas ao risco de contaminação porque brincam no chão e em tanques de areia, normalmente contaminados pela presença de excrementos de cães e gatos”, alerta o dr. Rubens Belfort Jr., presidente do Instituto da Visão da UNIFESP. “Além da população em geral, queremos sensibilizar as autoridades sanitárias, inclusive secretários e Conselhos Municipais de Saúde, para risco latente que é a presença de animais domésticos em todas as praias brasileiras. Em muitas cidades, é comum a presença de animais nas praias, dividindo espaço com os banhistas, sem políticas de prevenção que proíbam sua presença. Além da mudança dos hábitos de higiene da população, a gravidade do problema exige o desenvolvimento de políticas públicas de saúde, com foco em educação sanitária e atualização dos profissionais de saúde”, finaliza.
