Olho seco é comum na menopausa devido à flutuação dos hormônios, que afeta a produção dos componentes da lágrima
As mulheres vivem um terço de sua vida após a menopausa. Devido aos sintomas e alterações que surgem nessa fase, chamada de climatério, o acompanhamento médico se torna muito importante. Caso a mulher use lentes de contato ou não, os olhos secos são uma das primeiras alterações durante a menopausa. Nesse período, muitas das evidências sobre olhos secos estão relacionadas a flutuações nos hormônios, especialmente estrogênio, que afeta a produção dos componentes aquosos e oleosos das lágrimas.
Décadas atrás alguns oftalmologistas desconsideravam as queixas de olho seco, sem dar muita importância. Naquela época os médicos desconheciam que olhos secos podem indicar graves problemas: inflamações crônicas, aumentar os riscos de infecções, visão borrada, secreção e, em raros casos, córnea danificada e perda da visão. Comumente, olhos secos interferem na vida diária, tornando mais difícil ler, dirigir carro (especialmente à noite), trabalhar no computador e mesmo sair à luz do sol.
O olho seco é uma doença crônica e incurável, caracterizada pela deficiência da produção da lágrima ou evaporação rápida, que afeta cerca de 30% da população em todo o mundo. Este distúrbio do filme lacrimal pode produzir áreas secas sobre a conjuntiva e córnea, o que facilita o aparecimento de lesões. As lágrimas têm função terapêutica, pois, além de limpar e proteger o olho, evitam que pontos secos interfiram na refração. Os sintomas - ardor, irritação, sensação de areia nos olhos, dificuldade para ficar em lugares com ar condicionado ou em frente do computador e olhos embaçados ao final do dia - são facilmente confundidos com alergia ou conjuntivite. Além dos fatores ambientes, a doença está relacionada a trauma (queimaduras químicas), idade avançada, tratamento quimioterápico, uso de alguns medicamentos ou de lentes de contato, menopausa nas mulheres, doenças do sistema imunológico (lupus, síndrome de Sjögren, Stevens-Johnson e outras) e doenças da tireóide.
Hoje, um diagnóstico correto com tratamento adequado pode ajudar qualquer pessoa portadora da doença do olho seco a ter uma melhor qualidade de vida. Perceber com que freqüência e em que condições os sintomas aparecem, mudar de ambiente e de estilo de vida pode fazer grande diferença. A paciente pode experimentar significativa melhora reduzindo sua exposição à poluição, ar condicionado, secador de cabelos, salas e carros muito aquecidos. Usar gotas lubrificantes/lágrimas artificiais ou substituir as lentes de contato por óculos ajuda. Talvez seja útil beber muita água, reduzir a cafeína e aumentar o consumo de Ômega-3, consumindo mais peixe gordo, óleo de linhaça ou de canola.
O oftalmologista deve ser consultado na presença de algum dos sintomas abaixo:
- Dificuldade para ver, enxergar ou ler;
- Visão dupla com sobreposição lateral, superior ou periférica ;
- Diferenças entre a visão de um olho com relação ao outro;
- O aparecimento de imagens diferentes no seu campo visual, parecidas com bolinhas, fachos de luz, luzes piscantes ou intermitentes;
- Diminuição da sua visão central ou periférica;
- Dor nos olhos;
- Visão embaçada ou sensação de que imagens retas ficam curvadas ou distorcidas;
- Lágrimas ou secura constantes nos olhos.
Além disso, considerando que nessa idade o risco do glaucoma começa a aumentar, é importante medir a pressão intra-ocular anualmente.
