O número de transplantes de órgãos, que vinha aumentando a cada ano, caiu 28% neste ano em São Paulo em comparação ao mesmo período de 2004, segundo balanço da Secretaria de Estado da Saúde. Para tentar reverter o quadro, o governo vai fazer uma campanha publicitária.
De acordo com a Central de Transplantes, foram realizadas 648 cirurgias de janeiro até a metade deste mês. No ano passado, o Estado bateu recorde histórico com 1.334 transplantes, 25,7% a mais do que em 2003 - considerado até então o melhor ano -, quando houve 1.062.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, a queda ocorreu em razão do aumento das recusas das famílias dos possíveis doadores. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, não se sabe o motivo do crescimento das negativas.
Campanha publicitária
Cerca de 40 mil veículos da frota do governo já ganharam adesivos com a frase Incentive a doação de órgãos nos vidros traseiros. A secretaria afirma que o objetivo é expandir o projeto para mais veículos públicos ainda neste ano. Até o fim de setembro devem ser distribuídos mais 40 mil adesivos.
Além disso, uma parceria com a Secretaria dos Transportes e a concessionária Renovias distribuirá material de incentivo à doação nos pedágios do interior. A expectativa é que 16 milhões de recibos de pedágio com informações no verso e 600 mil folhetos explicativos sejam distribuídos até dezembro.
Entretanto, o transplante de córnea cresceu no Estado, segundo a secretaria. De janeiro ao dia 15 deste mês foram 2.801 transplantes -contra 2.103 no mesmo período de 2004. "A doação de córnea é mais fácil do que de órgãos, que só podem ser retirados com o coração ainda batendo", disse Luiz Augusto Pereira, coordenador da Central de Transplantes do Estado.
No País, o número de transplantes cresceu 18,3% de 2003 para 2004. O Ministério da Saúde considera que hoje o principal problema é a falta de notificação de mortes encefálicas.
Em 2003, o ministério fez uma ampla campanha publicitária em que alertava que só a família pode autorizar a doação. Não basta a manifestação em vida do doador. Por isso, pessoas que quiserem que seus órgãos sejam doados devem comunicar os parentes.
