Nos países desenvolvidos, o glaucoma representa uma das três maiores causas de cegueira, juntamente com a retinopatia diabética e a DMRI. Estima-se que o glaucoma afecte entre 70 e 80 milhões de pessoas, sendo que dois terços correspondem a glaucomas de ângulo aberto.
Na Europa, o glaucoma atinge cerca de 5% da população com mais de 65 anos e "perto de 10% dos europeus, com mais de 40 anos, encontram-se em risco de vir a desenvolver a doença", revela Dr. António Figueiredo, oftalmologista responsável pelo Departamento de Glaucoma do Hospital de Santa Maria, particularizando: "Em Portugal, estima-se que o glaucoma e hipertensão ocular afectem perto de 400 mil pessoas. Este valor tem em linha de conta dados dos EUA e União Europeia, que apontam para percentagens de doentes não diagnosticados que podem atingir até 50% dos casos clinicamente referenciados."
A hipertensão ocular é, comprovadamente, o principal factor de risco do glaucoma. Mas existem outros, como a influência genética, a raça (tende a ser mais grave nos negros) ou a idade. Mais: "Os indivíduos com miopia elevada são mais frágeis e o tabaco agrava o prognóstico por aumentar os problemas de irrigação sanguínea no nervo óptico associados ao glaucoma", sustenta o mesmo oftalmologista.
Já que a incidência aumenta a partir dos 40 anos, "é sensato, em termos preventivos, fazer consultas regulares.
Quando existem familiares directos com glaucoma, esta medida deve ser tomada ainda mais cedo. Até porque, todos os métodos evoluídos de diagnóstico precoce e tratamento do glaucoma estão disponíveis em Portugal", diz o especialista.
O diagnóstico do glaucoma passa, em primeiro lugar, pela avaliação da tensão ocular. No entanto, isto não basta, porque "um número significativo de glaucomas pode evoluir com tensões oculares dentro de valores ditos normais", diz António Figueiredo.
E aponta a o procedimento ideal: "Tão importante como a avaliação da pressão ocular é o exame do fundo do olho, através do qual se observa a porção anterior do nervo óptico, onde surge a lesão mais típica do glaucoma – a perda das células nervosas, a que nós chamamos “escavação”.
Hoje em dia, o diagnóstico precoce do glaucoma é auxiliado por aparelhos sofisticados, que calculam o número de fibras nervosas perdidas nos vários sectores do nervo óptico. "Assim", explica o especialista, "a doença é detectada antes de qualquer sintoma.
